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‘A Volkswagen precisa ser diferente’ diz presidente da empresa no Brasil

Presidente diz que grupo terá de desenvolver carros com design voltado mais ao gosto do consumidor brasileiro.

A VW PRECISA SER DIFERENTE - FOTO

Presidente da Volkswagen no Brasil

Após ver sua participação no mercado despencar nos últimos anos, a Volkswagen desenvolve nova estratégia para o mercado brasileiro. A marca alemã já foi líder em vendas por longo período, mas hoje tem “uma imagem fria” perante os consumidores. “Teremos estratégia orientada para as pessoas, mais quente, com produtos novos”, diz o presidente da empresa no Brasil, David Powels. O grupo quer se descolar de carros com design alemão, e voltar a ter produtos mais ao gosto dos brasileiros.

A Volkswagen registra queda de 38% nas vendas, num mercado que caiu 20%. A participação no mercado, de 11,5%, é a menor em décadas. O que ocorreu?

Além da crise, perdemos quase dois meses de produção em razão de problemas com um fornecedor de peças, mas estamos em processo de recuperação. A partir de janeiro devemos retomar a produção normal.

Como o grupo reage à crise?

Tivemos de fazer uma reestruturação dura, mas necessária para adaptar o negócio à realidade. Hoje temos 18 mil trabalhadores (nas quatro fábricas). Há dois anos eram 22 mil. São 4 mil pessoas a menos, mas todas saíram por meio de programas de demissão incentivada.

O tamanho da empresa está adequado para o mercado atual?

Hoje usamos mais ou menos 40% da nossa capacidade, mas não temos planos de fechar nenhuma fábrica. Se necessário, vamos usar medidas como lay-off e redução de jornada. Temos confiança de que o mercado vai se recuperar, embora lentamente. A expectativa para 2017 é de vendas totais de 2,2 milhões de veículos. Em cinco anos deve chegar a 2,6 milhões. Para voltar aos 3,5 milhões vai demorar até 10 anos.

Qual a estratégia da marca para os próximos anos?

Vamos começar uma estratégia para reorientar o negócio, renovar produtos, posicionar a marca, melhorar a produtividade, o relacionamento com fornecedores, treinar e motivar nosso pessoal. Estamos investindo numa plataforma moderna que terá três ou quatro produtos a serem fabricados em São Bernardo e no Paraná. Estamos tentando mudar nossa imagem no Brasil e América do Sul. Nos últimos anos, tivemos uma imagem um pouco fria, sem proximidade com clientes e concessionários. Agora, a estratégia será orientada para pessoas, mais quente, com produtos novos e novas atitudes.

Como se faz isso na prática?

Precisamos ter outro tipo de propaganda, ter um relacionamento mais aberto, trabalhar mais em equipe. Não é fácil mudar a cultura em uma empresa grande. Vai demorar um pouco, mas a Volkswagen precisa ser diferente, pois não é só uma marca que vende carros, é uma marca de pessoas. Nossa história começou assim, com o carro do povo (o Fusca) e precisamos voltar a ter essa atitude, estar mais perto dos clientes e colaboradores, com produtos relevantes. Às vezes, o design dos carros da Alemanha não é relevante para o Brasil.

Significa ter produtos específicos para o mercado brasileiro?

Vamos sempre usar plataformas globais, mas o design precisará ser adaptado. No passado, fizemos produtos só para o Brasil, mas nos últimos 10 anos nos concentramos em produtos com design alemão. No futuro, teremos mais influência para desenvolver carros com design voltados ao consumidor brasileiro.

A crise política afeta a economia?

Ela afeta a confiança. As pessoas têm dinheiro, mas não têm confiança para gastar. Empresas têm dinheiro, mas não têm confiança para investir.

Fonte: O Estado de São Paulo 01/01/2017

 

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