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Inovação

Thyssenkrupp desenvolve elevador que levita

Imagine um elevador que se move sem estar ligado a cabos e que pode viajar tanto horizontalmente quanto na vertical, compartilhando um mesmo poço com várias cabines.

Essa é a visão do conglomerado industrial alemão Thyssenkrupp AG, que quer usar a tecnologia de levitação magnética para revolucionar um setor que tem, basicamente, feito o mesmo produto há mais de um século.

Thyssenkrupp 1

A Thyssenkrupp espera que ao adaptar a tecnologia de levitação magnética, já usada em trens de alta velocidade, ela poderá passar à frente de rivais como a americana Otis, da United Technoligies Corp., a maior e mais antiga fabricante de elevadores do mundo.

A Otis e as duas outras concorrentes da Thyssenkrupp, a Kone Corp., da Finlândia, e a suíça Schindler Group, estão adotando uma abordagem de inovação gradual em seus aparelhos.

 

A Kone oferece cabos de elevadores de fibra de carbono com maior elasticidade que os cabos tradicionais de metal, permitindo a construção de poços mais altos. A Otis e a Schindler têm se concentrado no aperfeiçoamento dos computadores que monitoram a operação de vários elevadores, tentando reduzir o tempo de espera dos passageiros e aumentar a eficiência. A Thyssenkrupp oferece sistemas similares.

Mas só a gigante alemã do setor siderúrgico e de engenharia está propondo a eliminação completa dos cabos, modelando uma espécie de “hyperloop” para prédios comerciais. (O Hyperloop é o sistema de transporte de alta velocidade que usa ar pressurizado dentro de um tubo para movimentar pessoas e cargas e que vem sendo desenvolvido pelo empreendedor e fundador da Tesla Motors Inc., Elon Musk.)

Thyssenkrupp 2

A Thyssenkrupp já opera um pequeno protótipo e pretende demonstrar no fim do ano um modelo em tamanho real em operação. Se tudo correr bem, as vendas devem começar já no próximo ano.

Andreas Schierenbeck, diretorpresidente da divisão de elevadores da Thyssenkrupp, prevê que a tecnologia, chamada de Multi, poderá tornar os elevadores mais rápidos e mais eficientes ao mesmo tempo em que transformará a forma em que os edifícios são construídos.

Os rivais são céticos.

“Por ora, esses tipos de conceito não são comercialmente viáveis”, diz Henrik Ehrnrooth, diretor-presidente da Kone.

Silvio Napoli, e ex-diretor-presidente da Schindler que hoje é membro do conselho de administração, diz que o conceito de elevadores horizontais não é “tão novo para o setor”. E acrescenta: “Concorrentes trabalharam nisso durante anos, mas encontraram problemas”, como um consumo alto de energia.

Na década de 90, a Otis modelou um sistema que operava tanto na vertical quanto lateralmente, mas seu sistema intricado de roldanas e cabos se revelou muito complexo para ser instalado, segundo Dario Trabucco, pesquisador do Conselho de Prédios Altos e Habitação Urbana, uma organização americana de padronização sem fins lucrativos.

A Otis não quis comentar para este artigo.

James Fortune, especialista da Fortune Shepler Saling Inc., consultoria do setor de elevadores que trabalha com empreiteiros e arquitetos, diz que os maiores desafios da Thyssenkrupp serão “desenvolver um sistema de operação com um custo competitivo” e convencer os empreiteiros de que eles deveriam assumir o risco de usar um sistema único e exclusivo.

Os elevadores tradicionais de alta velocidade normalmente custam entre US$ 400 mil e US$ 600 mil por poço, diz ele. Um porta-voz da Thyssenkrupp informou que as estimativas de preço para o Multi ainda não estão disponíveis, mas “a economia com a redução das emissões de carbono em prédios extremamente altos é enorme e [o investimento] é facilmente recuperado”.

Substituir e instalar um sistema de elevadores pode custar milhões de dólares, e pode ser impossível em algumas estruturas. Então os empreiteiros fogem do risco. “Este será um mercado de nicho”, diz Andre Kukhnin, analista de ações do banco suíço Credit Suisse, observando que os prédios terão que ser criados inteiramente em torno do sistema da Thyssenkrupp. Kukhnin diz que uma tecnologia evolucionária como o cabo de fibra de carbono da Kone deve ter um impacto maior no setor.

Ehrnrooth, da Kone, diz que seus cabos sintéticos, que já estão em uso, são muito mais leves que os tradicionais cabos de aço e então, seu sistema consome menos energia e o custo de manutenção é menor. A Kone informa que seu cabo “UltraRope” permitirá dobrar a altura máxima dos poços de elevadores, atualmente de cerca de 500 metros.

Poços maiores reduzem a necessidade de lobbies de transferência de elevadores em andares altos, aumentando o espaço disponível para aluguel, dizem especialistas.

Ainda assim, o Multi da Thyssenkrupp é a primeira grande alternativa aos cabos a surgir em 160 anos. Em vez de operar como um ioiô, as cabines flutuarão verticalmente ou horizontalmente através de campos magnéticos.

Subir em um prédio por uma cabine flutuante deve assustar, mas o passageiro médio de elevadores é “totalmente ignorante” sobre como eles funcionam, diz Trabucco. Atrair passageiros não seria difícil se o sistema for rápido, acrescenta.

A Thyssenkrupp está desenvolvendo medidas de segurança junto com consultores e construtoras. Ela informou que os elevadores Multi terão um “sistema de freios com múltiplos passos” para lidar com “todos os cenários possíveis de operação”.

A empresa alemã começou a desenvolver a tecnologia ativamente na década de 70 com o grupo de engenharia alemão Siemens AG para um projeto de trem de alta velocidade na Alemanha que foi cancelado, embora um desses trens Transrapid opere em Xangai.

“Mas a tecnologia esta aí [...] As patentes estão aí”, diz Schierenbeck, da Thyssenkrupp. As concorrentes, diz ele, “não têm acesso a essa tecnologia”.

Albert So, especialista em elevadores do Instituto Asiático para Ambientes Construídos, previu que elevadores com levitação magnética devem se espalhar porque é a única tecnologia disponível que permitiria o uso de mais de duas cabines no mesmo poço. Tal compartilhamento iria impulsionar a eficiência. Desde 2003, a Thyssenkrupp oferece um sistema de cabos mais tradicional que opera duas cabines independentes em um poço, assegurando que elas permaneçam separadas com segurança. O sistema é usado em vários prédios altos, como a nova sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt.

Fonte: Valor Econômico 21/07/2016

 

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