Facebook

NEWS TECMES

Inovação

São Paulo ganha 1° laboratório de grafeno do País

A Universidade Presbiteriana Mackenzie inaugurou ontem o primeiro laboratório da América Latina especializado em grafeno. Fino, resistente e derivado do carbono, o material deu o Nobel de Física de 2010 a seus criadores e pode, nos próximos anos, revolucionar a indústria, a engenharia e o setor de tecnologia.

news grafeno-baner 3-3-16

Construído com uma parceria entre o Mackenzie, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e o Concelho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Centro de Pesquisas Avançadas em Grafeno da América Latina (também chamado de MackGraphe) custou cerca de R$ 100 milhões. O laboratório ocupa um edifício com área superior a 4 mil metros quadrados, distribuído em nove andares, no campus da instituição em Higienópolis, região central de São Paulo.

Ainda pouco conhecido, o grafeno é um material que deve estar presente em boa parte dos eletrônicos no futuro. Gerado a partir do grafite, uma boa forma de entender o grafeno é imaginá-lo como uma folha de átomos de carbono, densamente compactados em formato bidimensional.

Além de fino e resistente, o material ainda reúne uma série de importantes propriedades para a indústria de inovação: é transparente, leve, conduz eletricidade e calos e ainda é flexível. Não é para menos que tantas aplicações com o material estejam em fase de desenvolvimento para diversas áreas como defesa, eletroeletrônicos, semicondutores e produtos como plástico ou látex.

Suas aplicações vão de raquete de tênis, já disponíveis no mercado, a preservativos – financiados pela Fundação Bill e Melinda Gates, do cofundador da Microsoft e sua esposa. Além disso, há estudos recentes demonstrando sua aplicação na filtragem e retirada de materiais radioativos de águas contaminadas.

Origem. Segundo o reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Benedito Guimarães Neto, o projeto teve início em 2012 quando uma equipe da instituição visitou a Universidade de Cingapura para desenvolver pesquisas na área de fotônica, que estuda geração, transmissão e detecção da luz.

“Após a visita, a gente viu que podia aproveitar as potencialidades da tecnologia para pensar algo bem maior. Foi aí que surgiu a ideia do centro de pesquisas em grafeno”, diz. Desde 2010, a Universidade Cingapura tem um centro específico para estudo das aplicações e propriedades do grafeno.

A meta da universidade é dominar o conhecimento científico sobre o grafeno nos próximos cinco anos. Depois disso, começara a desenvolver inovações com o material. Para isso, a instituição pretende buscar parcerias com o setor industrial para propor soluções com o grafeno para a melhoria de processos e produtos.

“A universidade tem o conhecimento, mas são as empresas quem devem produzir novidades”, diz o coordenador do MackGraphe, Thoroh de Souza. O foco da universidade é buscar empresas nacionais que já tenham condições de infraestrutura e investimento, em setores como o agronegócio.

O Brasil tem uma das maiores reservas de grafite do mundo, mas ainda não desenvolveu a cadeia completa de produção do grafeno. “Produção industrial em grande volume e com qualidade não existe no mundo”, diz o brasileiro Antonio Hélio de Castro, diretor do centro de materiais bidimensionais da universidade de Cingapura. Para ele, um dos desafios para o desenvolvimento nesta área é dominar o processo de produção de grafeno de alta qualidade. “Hoje existe uma corrida para controlar e ter a propriedade intelectual em pesquisas com grafeno”, diz Castro. Por sua versatilidade, a perspectiva é que o material terá peso equivalente ao silício hoje. “O Brasil não pode deixar de participar desta corrida, porque perde oportunidade de dividir a riqueza que este material vai gerar”.

 news grafeno2 3-3-16  news grafeno3 3-3-16

 

Material é fino e resistente: Descoberto nos anos 1960, mas estudado a fundo só 40 anos mais tarde, o grafeno é o material mais fino e resistente disponível atualmente. Condutor de eletricidade e calor, trata-se de uma forma de carbono, resistente e flexível, que deu aos pesquisadores Andre Geim e Konstantin Novoselov o prêmio Nobel de Física em 2010. Em 2012, a Sociedade Americana de Química disse que o material é 200 vezes mais resistente que o aço. É tão fino que uma grama de grafeno cobriria um campo de futebol. A aposta da indústria é de que o material pode, nos próximos anos, revolucionar a produção de eletrônicos, ajudando na criação de aparelhos flexíveis, supercondutores e até mesmo dispositivos que se comuniquem com as células do corpo humano. A produção de baterias mais eficientes é outro alvo: em 2010; a universidade Northwestwern construiu uma bateria de celular com grafeno e silício que era recarregada em 15 minutos.

Fonte: O Estado de São Paulo – 03/03/2016

Postado em:

Categoria 1, Categoria 2

Tags:

tag 1, tag 2, tag 3